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NITERÓI, RIO DE JANEIRO, Brazil
Adriano Figueiredo, Ana Pavanni, Hugo Machado, Rafael Biet e Tiago Ribeiro. Disciplina Economia e Mercado. PGCF -UFF/RJ Orientação D.Sc. Carlos Cova

sexta-feira, 5 de junho de 2009

CONSENSO DE WASHINGTON

Consenso de Washington é um conjunto de medidas - que se compõe de dez regras básicas - formulado em novembro de 1989 por economistas de instituições financeiras baseadas em Washington, como o FMI, o Banco Mundial e o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, fundamentadas num texto do economista John Williamson, do International Institute for Economy, e que se tornou a política oficial do Fundo Monetário Internacional em 1990, quando passou a ser "receitado" para promover o "ajustamento macroeconômico" dos países em desenvolvimento que passavam por dificuldades.
Segundo Dani Rodrik: "Enquanto as lições tiradas pelos proponentes (do Consenso de Washington) e dos céticos diferem, é legítimo dizer que ninguém mais acredita no Consenso de Washington. A questão agora não é saber se o Consenso de Washinton ainda vive; é saber-se o que deverá substituí-lo”.

O termo "Consenso de Washington

John Williamson criou a expressão "Consenso de Washington", em 1990, originalmente para significar: "o mínimo denominador comum de recomendações de políticas econômicas que estavam sendo cogitadas pelas instituições financeiras baseadas em Washington e que deveriam ser aplicadas nos países da América Latina, tais como eram suas economias em 1989."

Desde então a expressão "Consenso de Washington" fugiu ao controle de seu criador e vem sendo usada para abrigar todo um elenco de medidas e para justificar políticas neoliberais, com as quais nem mesmo Williamson concorda.

O Consenso de Washington na prática da política econômica mundial

Independentemente das intenções originais de seu criador, o termo "Consenso de Washington" foi usado ao redor do mundo para consolidar o receituário de caráter neoliberal - na onda mundial que teve sua origem no Chile de Pinochet, sob orientação dos Chicago Boys, que seria depois seguida por Thatcher, na Inglaterra (thatcherismo) e pela supply side economics de Ronald Reagan (reaganismo), nos Estados Unidos.
O FMI passou a recomendar a implementação dessas medidas nos países emergentes, durante a década de 90, como sendo uma fórmula infalível, destinada a acelerar seu desenvolvimento econômico.
De início essas idéias foram aceitas e adotadas por dezenas de países sem serem muito questionadas.
Só após a grave crise asiática, em 1997, da quase quebra da Rússia, que viu seu PIB cair 30%, da "quebra" da economia Argentina - que recebia notas A+ do FMI pelo zelo com que aplicava suas sugestões - e de vários outros desajustes econômicos ocorridos pelo mundo, o "Consenso" foi adaptado e, desde 2004, já revisto pelo próprio FMI, que abandonou o dogmatismo inicial.
A popularização dessas políticas econômicas criadas, foi muito facilitada pelo entusiasmo que gerou a queda do muro de Berlim e foi ajudada pela decadência do socialismo soviético, numa época em que parecia que os países que seguiam o planejamento central estavam fadados ao fracasso econômico e político.
Muitos países subdesenvolvidos acabaram por implementar, em vários graus, componentes desse pacote econômico, com resultados muito debatidos. Críticos do Consenso de Washington alegam que o pacote levou à desestabilização econômica . Outros acusam o Consenso de Washington de ter produzido crises, como a da Argentina, e pelo aumento das desigualdades sociais na América Latina. Frequentemente os críticos do Consenso de Washington são associados por seus defensores - ou são acusados de serem associados - ao socialismo ou à antiglobalização. Mais recentemente essas críticas vêm sendo engrossadas por acadêmicos norteamericanos, como fez Dani Rodrik, Professor de Política Econômica Internacional na Universidade de Harvard, em seu trabalho Adeus Consenso de Washington, Olá Confusão de Washington ?.

As dez regras básicas
• Disciplina fiscal
• Redução dos gastos públicos
• Reforma tributária
• Juros de mercado
• Câmbio de mercado
• Abertura comercial
• Investimento estrangeiro direto, com eliminação de restrições
• Privatização das estatais
• Desregulamentação (afrouxamento das leis econômicas e trabalhistas)
• Direito à propriedade intelectual

Resultados

O entusiasmo despertado pelas reformas preconizadas pelo Consenso de Washigton foi tal em muitos países, inclusive no Brasil, que a lista de 10 recomendações do Williamson tornou-se humilde e inócua por comparação. A liberalização e abertura para os fluxos de capitais internacionais foi muito além daquilo que o próprio Williamson julgava adequado ( e prudente) de seu ponto de vista dos anos 80, em muitos países subdesenvolvidos. Apesar dos protestos de Williamson, sua agenda de reformas passou a ser percebida, ao menos por seus críticos, como um esforço ideológico destinado a impor o neoliberalismo, e o fundamentalismo de livre mercado, aos países emergentes.
Uma das coisas que é hoje mais ou menos consensual acerca dessas reformas é que as coisas não sairam como fora planejado. Mesmo os mais ardorosos defensores das políticas preconizadas então pelo Consenso de Washington concordam que o crescimento ficou muito abaixo do esperado na América Latina, e que o "período de transição" foi muito mais profundo e duradouro nas economias anteriormente socialistas do que fora imaginado.
A autocrítica desenvolvida no documento The World Bank’s Economic Growth in the 1990s: Learning from a Decade of Reform (2005), é altamente supreendente na medida em que nos mostra como nos distanciamos das idéias originais do Consenso de Washington. Gobind Nankani, vice presidente do Banco Mundial escreveu no seu prefácio: "(...)que não há um único conjunto universal de regras. temos que nos afastar de fórmulas pré-estabelecidas, e da procura por 'melhores práticas' ilusórias..." (p. xiii). A nova ênfase do Banco Mundial reside agora na necessidade da humildade, em políticas diversificadas, em reformas limitadas e seletivas, e na necessidade da experimentação. Segundo Dani Rodrik, por vezes seu leitor tem que ser relembrado de que não tem em suas mãos algum manifesto radical, mas sim um relatório oficial preparado na própria sede da ortodoxia econômica universal no campo do desenvolvimento. O relatório do Banco Mundial reconheceu que, em primeiro lugar, houve um colapso, prolongado e inesperado, na produção dos países em transição das economias anteriormente comunistas.
Mais de uma década depois de iniciada a transição para os livremercados, muitos países anteriormente comunistas ainda não tinham recuperado seus níveis anteriores de produção. Em segundo lugar a África Sub-Sahariana não 'decolou', a despeito das reformas políticas e nas melhoras das políticas externas e do contínuo influxo de ajuda econômica. Os sucessos foram poucos - Uganda, Tanzania e Moçambique são os mais citados, mas uma década depois suas economias ainda permanecem frágeis. Em terceiro lugar houve recorrentes e dolorosas crises financeiras na América Latina, Leste Asiático e Turquia. A maioria dessas crises era imprevisível, até que o fluxo de capitais, em mercados liberados, reverteu-se subitamente. Em quarto lugar o crescimento da América Latina em termos per capita ficou muito abaixo do período 1950-80, apesar dos desmantelamento das políticas estatizantes, populistas e protecionistas dos antigos regimes da região. Finalmente a Argentina, a garotapropaganda das teses do Consenso de Washington, desabou em 2002.

A Malásia: uma "solução alternativa" aos programas do FMI ?

A Malásia se constitui num caso curioso, que pode servir de "experiência de laboratório" para as recomendações de política econômica receitadas pelo Consenso de Washington.
Isto porque a Malásia, quando da crise asiática, em 1997-98, sofreu uma forte crise cambial - com sua moeda, o ringgit, caindo de 2,50 para 4,20 por dólar - e fez exatamente o oposto do que recomenda o FMI nas mesmas circunstâncias, obtendo grande sucesso.
Nas crises de fugas de capitais, que se transformam em crises cambiais, o FMI recomenda a flutuação das taxas de câmbio; a Malásia fixou-as. O FMI sugere uma forte elevação dos juros; a Malásia reduziu-os. O FMI receita redução dos gastos públicos para reduzir a relação dívida/PIB. A Malásia aumentou os gastos públicos e impôs uma trajetória ascendente à sua relação dívida/PIB.
Tudo isso só pôde ser feito por que a Malásia neutralizou, com a adoção de rígidos controles, os possíveis impactos que a plena movimentação de capitais de curto prazo poderia ter causado à sua economia.
A recuperação malaia foi impressionante. Sua indústria cresceu 8,5% em 1999, ano em que seu PIB cresceu 5,4%e seu PIB continuou a crescer 7,8% em 2000 e 7% em 2001. A inflação, que em 1998 - antes da crise - fora de 5,3%, caiu para 2,8% em 2000 e 2,2% em 2001. A relação dívida/PIB, que era de 60% antes da crise, manteve-se em alta e hoje atinge um patamar superior a 70%.
Um estudo acadêmico bastante conhecido, elaborado por KAPLAN e RODRIK, constatou que a recuperação da Malásia, na crise 1997-98, foi mais rápida e menos custosa quando comparada à recuperação da Tailândia e a da Coréia, que seguiram à risca o receituário do FMI.

RESUMO

O Consenso de Washington documenta o escancaramento das economias latino-americanas, mediante processo em que acabou se usando muito mais a persuasão do que a pressão econômica direta, embora esta constituísse todo o tempo o pano de fundo do competentíssimo trabalho de convencimento. Certamente, uma versão mais sofisticada e sutil das antigas políticas colonialistas de open-door nas quais se apelava, sem maiores constrangimentos, à força das canhoneiras para “abrir os portos de países amigos”. Por serem menos ostensivas, as pressões atuais são mais difíceis de combater.
O Consenso de Washington, além de contraditório com as práticas dos Estados Unidos e dos países desenvolvidos em geral, contém, como pudemos apreciar, várias incoerências nos seus próprios termos. Revela-se em especial inadequado quando se tem em conta que sua avaliação e prescrições se aplicam de maneira uniforme a todos os países da região, independentemente das diferenças de tamanho, de estágio de desenvolvimento ou dos problemas que estejam concretamente enfrentando. O diagnóstico e a terapêutica são virtualmente idênticos tanto para um imenso Brasil já substancialmente industrializado quanto para um pequeno Uruguai ou Bolívia ainda na fase pré-industrial. Não diferem muito por incrível que pareça, do que o FMI e o Banco Mundial estão recomendando à Europa oriental na sua transição para economias de mercado.
Os resultados do neoliberalismo na América Latina, apesar dos esforços dos meios de comunicação em só mostrar os aspectos considerados positivos, não podem deixar de ser vistos como modestos, limitados que estão à estabilização monetária e ao equilíbrio fiscal. Miséria crescente, altas taxas de desemprego, tensão social e graves problemas que deixam perplexa a burocracia internacional baseada em Washington e angustiados seus seguidores latino-americanos.
De fato, como explicar que o México e a Argentina, para não citar outros que se alinharam ao modelo neoliberal, estejam sofrendo tensões de balanço de pagamentos, tão fortes que os fazem correr o risco de um colapso cambial e de suas políticas de estabilidade monetária? Como assegurar, num mercado internacional de taxas de juros em alta, por conveniências da economia norte-americana, o financiamento de déficits cavalares (sem qualquer duplo sentido), equivalentes a vários pontos percentuais dos respectivos PIBs, mais de 6% no caso argentino e mais de 8% no caso mexicano?
Como explicar, realmente, que o “Terceiro Mundo” que está dando certo seja aquele que não seguiu as prescrições neoliberais do FMI e do Banco Mundial? Talvez os tecnocratas de Washington não ficassem tão desagradavelmente surpreendidos se fossem mais humildes na sua atitude, como sugere Keynes que devam se comportar os economistas, e levassem em conta a complexidade e as especificidades latino-americanas.
Fica-se, de tudo isso, com a impressão amarga de que a América Latina possa haver se convertido, com a anuência das suas elites, em um laboratório onde a burocracia internacional baseada em Washington – integrada por economistas descompromissados com a realidade política, econômica e social da região – busca pôr em prática, em nome de uma pretensa modernidade, teorias e doutrinas temerárias para as quais não há eco nos próprios países desenvolvidos onde alegadamente procura inspiração.

FONTE: http://pt.wikipedia.org/wiki/Consenso_de_Washington

terça-feira, 2 de junho de 2009

NEW DEAL - A grande virada americana



New Deal – A grande virada americana

Em 1933, Franklin Delano Roosevelt, o novo presidente dos Estados Unidos, apresenta-se como o salvador de uma nação economicamente esgotada. Seu objetivo é restaurar no país as sólidas bases sociais e administrativas que fizeram a grandeza dos EUA
por André Kaspi

Vista aérea da construção das barragens de represa hidrelétrica, em 1935, no vale do Tennessee, pelo Tennessee Valey Authority (TVA), orgão federal destinado a assegurar o desenvolvimento econômico da região e a criação de empregos

Em 4 de março de 1933, Franklin Delano Roosevelt torna-se presidente dos Estados Unidos. A crise econômica e social iniciada em outubro de 1929 arruína o país. Desaparece a confiança na prosperidade. Os especuladores arruinados não podem mais saldar suas dívidas. Os bancos reclamam sua parte. Como não conseguem reaver o dinheiro que lhes é devido, 659 bancos fecham suas portas em 1929, 1.352 em 1930, e 2.294 no ano seguinte. Obrigados a abrir falência, os industriais fecham as fábricas. O desemprego atinge índices astronômicos: 1,5 milhão de americanos em 1929, 13 milhões de homens e mulheres quatro anos mais tarde, ou seja, um quarto da população ativa. Se levarmos em conta que, há uma década, os agricultores sofrem com o excesso de produção e com as condições climáticas, compreenderemos o subconsumo, a miséria crescente e o pavor que assolam os EUA.

É certo que não se trata da primeira crise econômica. Os especialistas pedem um pouco de paciência. Ou, conforme as palavras do presidente Herbert Hoover, a prosperidade está na próxima esquina. Isto não impede que os meses e os anos passem sem um vislumbre de recuperação. Os desempregados só podem contar com a caridade. Surgem acampamentos no centro das cidades, como, por exemplo, no Central Park, em Nova York. Os políticos propõem explicações que não convencem e são incapazes de descobrir soluções. Eles, assim como os cidadãos, estão perturbados. Franklin Roosevelt constitui uma exceção. Em 1928, fora eleito governador do estado de Nova York, sendo reeleito em 1930. Nascido em 1882, filho de família nobre, primo e depois sobrinho por afinidade do presidente Theodore Roosevelt, antigo secretário adjunto da Marinha durante a presidência de Woodrow Wilson, Roosevelt representa o novo Partido Democrata, mais aberto ao mundo urbano e atento às minorias étnicas. Ele está disposto a adotar todas as soluções, mesmo as contraditórias. Na eleição presidencial de 1932, Roosevelt restaura a esperança. Seu adversário republicano, o presidente Herbert Hoover, decepcionou a muitos e perde a batalha.

Roosevelt promete agir imediatamente. De março a junho de 1933, inúmeros projetos invadem o Congresso. A equipe do presidente, principalmente o Brain Trust, demonstra uma atividade febril. A 9 de março, uma lei reorganiza o sistema bancário e permite a reabertura dos bancos. A 20 de março, nova lei assegura o equilíbrio orçamentário. A 22 de março, inicia-se o processo que suspenderá a proibição das bebidas alcóolicas. Mas, sobretudo, nascem os órgãos federais.

BOLHA ESPECULATIVA

Uma bolha especulativa forma-se num mercado quando a única coisa que sustenta a progressão do mercado é a entrada de novos participantes, num esquema em pirâmide natural. Visto que o número de participantes possível é finito, todas as bolhas possuem um final previsível ainda que geralmente seja difícil de estabelecer o seu momento.

Assim acontece com a cotação das ações negociadas em bolsa de valores. Quando ocorrem sucessivas altas, muitas pessoas sem experiência em mercado de capitais se aventuram a investir em ações, e, conforme a lei da oferta e da procura essa grande demanda faz os papéis subirem ainda mais, inflando artificialmente a "bolha". Em determinado momento, os grandes investidores, ou aqueles que conhecem o mercado, percebem que os valores estão irreais e que os riscos de desvalorização aumentam e então começam a vender suas ações, levando a queda dos preços, provocando assim o estouro da bolha.

FONTE: http://pt.wikipedia.org/wiki/Bolha_esPeculativa

Paralelo entre Neoclássicos, Keynes e a atual Economia Política Crítica

Introdução

O capitalismo após o período de intensas mudanças, assumiu uma nova característica perante as modificações e as alterações do mercado, alguns clássicos econômicos seguiam estritamente a tradição utilitarista e neoclássica e raramente reconheciam que o capitalismo estava passando por mudanças turbulentas rejeitando toda perspectiva da teoria do valor do trabalho. Os 15 anos que seguiram após a Segunda Guerra Mundial, foi um período de profundo conservadorismo, foi uma época de pessimismo e de depressão no setor econômico, na economia acadêmica esta situação geral refletia-se no predomínio esmagador das idéias de Keynes e de Samuelson, isso tudo mudou drasticamente as décadas de 60 e 70, que foram décadas de crises sociais, econômicas e políticas que contribuíram para uma crise ideológica liberal da guerra fria e renasceram algumas teorias e progressos do renascimento da Economia Política Crítica.

Paralelo entre Keynes/Neoclássicos
e a atual Economia Política Crítica

Um ponto em comum entre neoclássicos e Keynes seria a busca do equilíbrio na economia, o que Keynes chamava de pleno emprego, ou seja, a eficácia dos meios de produção, bem como o bem comum, ter o salário suficiente para se apropriar dos bens de consumo. A Economia do bem- estar ocupa no contexto de toda escola neoclássica um espaço importante, essa economia é referida como economia “paretiana” do bem estar, pois as idéias da maximização do lucro foram reformuladas e aprimoradas e foram levadas em consideração as curvas de “indiferença”. Através das curvas de indiferença o economista neoclássico ilustra graficamente o modo como o consumidor maximiza sua utilidade, quando existem apenas duas mercadorias para ele comprar e consumir, conseqüentemente o economista passa a ter uma visão beatifica e a “Felicidade Externa”. A eficácia é atingida quando, para qualquer combinação de mercadorias produzidas, o aumento da produção de qualquer mercadoria implica, obrigatoriamente, a diminuição de outras mercadorias.

A teoria econômica neoclássica descende diretamente das idéias de Smith e de Ricardo denominadas pela perspectiva da utilidade ou da troca, mas ela cada vez mais, tem assumido a forma de análises matemáticas esotéricas, a ponto de um estudante de Economia aprendendo apenas os instrumentos e técnicas de análise, sem conseguir perceber os valores filosóficos, e sociais subjacentes à analise, os valores sociais e filosóficos, e morais, que são obscurecidos por idéias dos economistas neoclássicos contemporâneos, continuam idênticos aos valores economistas anteriores.

A economia do bem estar descende diretamente das doutrinas que Marx chamava de “Economia Vulgar”, um ponto de vista que se restringeà sistematização, de forma pedante, e à proclamação de verdades eternas, ás idéias vulgares da burguesia autocomplacente sobre o seu mundo, para ela o melhor mundo possível. O pensamento neoclássico ignora ou deixa de lado os conflitos e problemas sociais e importantes e acredita na visão harmoniosa e beatífica da economia.
Keynes não tinha o menor interesse em usar o marxismo, por que tinha horror a qualquer doutrina que contivesse um apelo socialista revolucionário: “Não acredito que haja qualquer progresso econômico para a qual a revolução seja um instrumento necessário. Por outro lado, só temos a perder com métodos de mudança violentos. Nas condições industriais do Ocidente, a tática da Revolução Vermelha mergulharia toda a população num mar de pobreza e de morte”.

Para Keynes um dos pontos principais a serem discutidos era a liquidez da moeda, para qualquer tipo de negociação seria necessária que se tenha a moeda (que possui valor real) para que se possa aumentar a capacidade de consumo.
Keynes também acreditava que o governo tinha poder fundamental na economia, para proporcionar bens coletivos à sociedade, como produtor de bens e serviços, como regulador da moeda, intervindo no mercado financeiro para controlar o fluxo da moeda, como comprador, consumidor e agente econômico. Defendia a teoria do pleno emprego, que seria o uso eficaz de todos os fatores de produção (equilíbrio de mercado dos neoclássicos).

Uma contradição entre Keynes e os neoclássicos seria o fato de que ele queria dar aos governos capitalistas esclarecimentos teóricos que os ajudassem a salvar o capitalismo, e a segunda grande diferença entre Keynes e a teoria neoclássica da automaticidade do mercado era sua rejeição da teoria neoclássica de determinação da taxa de juros.

Com o renascimento da economia Política Crítica, houve uma influência ideológica e uma certa influência nas teorias anteriormente apresentadas, desenvolveu-se a teoria do valor do trabalho, para os economistas ortodoxos mais preparados sabiam que havia uma solução para o problema da transformação, os preços sempre seriam adequados ao trabalho, os mesmos negavam a intensificação de uma medida invariável de valor. Embora o capitalismo seja caracterizado por um planejamento racional e calculado a nível de empresa individual, a nível agregado, toda a economia continua, como sendo à anarquia e à irracionalidade do mercado.

Conclusão

Os economistas neoclássicos vêem o sistema capitalista como um sistema de harmonia natural e vantagens universais. O preço desta idéia sempre foi deixar de lado ou negar todos os problemas sociais e todos os conflitos sociais importantes. A recompensa desta idéia é, obviamente, pode sentar-se e descansar, esquecer todos os aspectos desagradáveis do mundo e aproveitar os sonhos de visão beatífica e da felicidade eterna. Ainda ansioso para convencer os capitalistas de que tenham em alta conta os seus interesses, Keynes assegurou aos que viviam de rendas que “não havia como defender o socialismo do estado”. Ele queria que o governo agisse de maneira a possibilitar a continuação do lucro, e estas funções do governo podiam ser introduzidas gradualmente e sem uma captura das tradições gerais da sociedade.
Toda teoria social se baseia em uma determinada teoria psicológica e ética, explicitamente exposta ou implicitamente aceita, quase todos os economistas neoclássicos baseiam uma teoria econômica na concepção utilitarista e hedonista da psicologia e da ética humana.


Fonte: http://www.coladaweb.com/economia/politica.htm

LEI DE SAY

A Lei de Say estabelece que "quando um produtor vende seu produto, o dinheiro que obtém com essa venda está sendo gasto com a mesma vontade da venda de seu produto " - sinteticamente: "a oferta de um produto sempre gera demanda por outros produtos".
Pela teoria de Say, não existem as chamadas crises de "super-produção geral", uma vez que tudo o que é produzido pode ser consumido já que a demanda de um bem é determinada pela oferta de outros bens, de forma que a oferta agregada é sempre igual a demanda agregada. Say aceitava ser possível que certos sectores da economia tivessem relativa superprodução em relação aos outros setores, que sofressem de relativa sub-produção.
A lei de Say deve o seu nome a Jean-Baptiste Say (1767-1832), nascido em Lyon (França) em uma família de mercadores de tecidos.
J.M. Keynes foi um dos maiores críticos da Lei de Say e de outros fundamentos teóricos da teoria marginalista, onde a lei de say foi reformulada na lei de Walras. Sua teoria se baseava na hipótese de que o aumento da poupança poderia reduzir a taxa de lucro, ocasionando entesouramento, que segundo Keynes, reduziria a demanda efetiva.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_de_Say

segunda-feira, 1 de junho de 2009

MOEDA

Moeda é o meio através do qual são efetuadas as transações monetárias. É todo ativo que constitua forma imediata de solver débitos, com aceitabilidade geral e disponibilidade imediata, e que confere ao seu titular um direito de saque sobre o produto social.

É importante perceber que existem diferentes definições de “moeda”: (i) o dinheiro, que constitui as notas (geralmente em papel); (ii) a moeda (a peça metálica); (iii) a moeda bancária ou escritural, admitidas em circulação; e, (iv) a moeda no sentido mais amplo, que significa o dinheiro em circulação, a moeda nacional. Em geral, a moeda é emitida e controlada pelo governo do país, que é o único que pode fixar e controlar seu valor. O dinheiro está associado a transações de baixo valor; a moeda (no sentido aqui tratado), por sua vez, tem uma definição mais abrangente, já que engloba, mesmo no seu agregado mais líquido (M1), não só o dinheiro, mas também o valor depositado em contas correntes.

Agregados monetários

É difícil definir moeda. Por razões práticas, os economistas chegaram a uma classificação dos diversos tipos de moeda e “quase moeda”, de acordo com a satisfação dos requisitos de suas principais funções (meio de troca, unidade de conta e reserva de valor) e com sua liquidez.

Alguns agregados mais comuns são:
M1 (“narrow definition of money”): moedas em circulação + cheques de viagem + depósitos à vista + outros depósitos. É o agregado mais líquido.
M2 (“broader definition of money”): M1+ aplicações de overnight + fundos mútuos do mercado monetário (exceto pessoas jurídicas) + contas de depósito no mercado monetário + depósitos de poupança + depósitos a prazo de menor valor.
M3: M2 + fundos mútuos do mercado monetário (pessoas jurídicas) + depósitos a prazo de grande valor + acordos de recompra + eurodólares.
M4 : Abrange o M1, o M2 e o M3, mais os títulos públicos para captação de recursos emitidos pelo Tesouro Nacional e Banco Central.O montante relacionado aos títulos públicos compõem a chamada DPMF - Dívida Pública Mobiliária Federal.

Funções da moeda

A moeda tem diversas funções reconhecidas, que justificam o desejo de as pessoas a reterem (demanda):
Meio de troca: A moeda é o instrumento intermediário de aceitação geral, para ser recebido em contrapartida da cessão de um bem e entregue na aquisição de outro bem (troca indireta em vez de troca direta). Isto significa que a moeda serve para solver débitos e é um meio de pagamento geral.
Unidade de conta: Permite contabilizar ou exprimir numericamente os ativos e os passivos, os haveres e as dívidas. Esta função da moeda suscita a distinção entre preço absoluto e preço relativo. O preço absoluto é a quantidade de moeda necessária para se obter uma unidade de um bem, ou seja, é o valor expresso em moeda. O preço relativo exige que se considere dois preços absolutos, uma vez que é definido como um quociente. Assim, P1 e P2 designam os preços absolutos dos bens 1 e 2, respectivamente. P1/P2 é o preço relativo do bem 1 expresso em unidades do bem 2. Ou seja, é a quantidade de unidades do bem 2 a pagar por cada unidade do bem 1.
Reserva de valor: A moeda pode ser utilizada como uma acumulação de poder aquisitivo, a usar no futuro. Assim, tem subjacente o pressuposto de que um encaixe monetário pode ser utilizado no futuro, isto porque pode não haver sincronia entre os fluxos da despesa e das receitas, por motivos de precaução ou de natureza psicológica. A moeda não é o único ativo a desempenhar esta função; o ouro, as ações, as obras de arte e mesmo os imóveis também são reservas de valor. A grande diferença entre a moeda e as outras reservas de valor está na sua mobilização imediata do poder de compra (maior liquidez), enquanto os outros ativos têm de ser transformados em moeda antes de serem trocados por outro bem.

Sachs e Larrain (2000) observam ainda que em períodos de alta inflação a moeda deixa de ser utilizada como reserva de valor, mas que em outros casos, que apesar de ser um “ativo dominado” (há ativos tão seguros quanto a moeda mas que rendem juros), ela é preferida como reserva de valor por alguns grupos (especialmente aqueles que realizam atividades ilegais), pois mantém o anonimato de seu dono - ao contrário, por exemplo, dos depósitos a prazo, que podem ser facilmente rastreados.

A moeda como um bem

O mercado de moeda funciona de maneira muito similar aos demais mercados: um aumento na quantidade de moeda no mercado diminui seu preço, ou seja, faz que com ela diminua seu poder de compra. Oferta de moeda A oferta de moeda (em inglês, “money supply”) pode ser definida como o estoque total de moeda na economia, geralmente o estoque de M1. Se a relação (M1)/(PIB) for muito grande, os juros tendem a cair e os preços a subir, e se for muito pequena a tendência é oposta. Os bancos centrais controlam a oferta de moeda principalmente através da alteração da taxa de reservas bancárias (uma taxa maior de reservas bancárias reduz a oferta de moeda) e da compra e venda de títulos, mas também através do controle da quantidade de papel moeda emitido.

Demanda por moeda tem sua definação similar à definição de demanda por qualquer outro bem. Ela pode ser definida como a quantidade de riqueza que os agentes decidem manter na forma de moeda. A maioria dos livros-texto refere-se à demanda por moeda como uma demanda por encaixes reais . Isso quer dizer que os indivíduos retêm moeda por aquilo que irão comprar em bens e serviços, isto é, os agentes econômicos estão interessados no poder aquisitivo dos encaixes monetários que possuem.

Também é praticamente consenso entre os economistas que a demanda por moeda é determinada basicamente pela taxa de juros (quanto maior a taxa, menor o incentivo para reter moeda), pelo nível de preços (que afetaria somente a demanda nominal por moeda ), pelo custo real das transações (se fosse possível transformar, imediatamente e sem custos, os fun-dos em dinheiro, não seria preciso manter dinheiro , já que seria possível realizar transações com a transformação do ativo rentável em moeda ocorrendo somente no exato momento em que ela se mostrasse necessária, o que permitiria que o ativo ficasse mais tempo rendendo), e pela renda. É importante observar que demanda por moeda não é igual à demanda por dinheiro. A demanda por moeda M1 pode aumentar e a demanda por dinheiro diminuir, se as transações forem efetuadas diretamente entre contas bancárias, sem necessidade de o usuário sacar papel moeda.

Histórico das Moedas no Brasil

Real (plural: Réis) - de 1500 a 8.out.1834
Mil Réis - de 8.out.1834 a 1.nov.1942
Conto de Réis (equivalente a um milhão de réis)
Cruzeiro - de 1.nov.1942 a 13.fev.1967
Cruzeiro Novo - de 13.fev.1967 a 15.mai.1970
Cruzeiro - de 15.mai.1970 a 28.fev.1986
Cruzado - de 28.fev.1986 a 15.jan.1989
Cruzado novo - de 15.jan.1989 a 15.mar.1990
Cruzeiro - de 15.mar.1990 a 1.ago.1993
Cruzeiro Real - de 1.ago.1993 a 1.jul.1994
Real (plural: Reais) - de 1.jul.1994 até atualmente

FONTE: http://pt.wikipedia.org/wiki/Moeda

ONDAS DA GLOBALIZAÇÃO

No século 20 fechamos um círculo econômico. Começamos o século em um processo de globalização plena que terminou dramaticamente com o início da Primeira Guerra Mundial, em 1914. Keynes escrevia em 1919, em seu livro 'Conseqüências econômicas da paz': 'Que extraordinário episódio de progresso econômico terminou em agosto de 1914'. Encerramos o século com outro processo de globalização tão importante quanto aquele com que começamos, embora diferente em muitos aspectos. Começamos com a 'pax britanica' e terminamos com a 'pax americana'. Começamos com o padrão-ouro e terminamos com três moedas básicas: o dólar, o euro e o iene. Entre um e outro processo de globalização, duas guerras mundiais e a Grande Depressão. É de esperar que, no entanto, tenhamos aprendido a lição e não terminemos abruptamente o atual processo de globalização, nem por meios bélicos nem protecionistas, mas que consigamos que se consolide e que o século 21 seja um episódio de prosperidade e de convergência de renda per capita para todos. O fracasso do início da Rodada de Seattle não é um bom sinal, mas é de esperar que, no fim, o interesse geral se sobreponha aos interesses nacionais, siga adiante e se manifeste logo.

A primeira coisa que temos de perguntar é quanto avançamos neste século que termina.
No início da primeira onda de globalização, que durou de 1870 a 1914, o mundo era muito mais homogêneo que agora, isto é, era muito mais pobre e agrário. Apesar disso, essa onda industrializou o Norte e desindustrializou o Sul, produzindo uma enorme divergência de renda entre umas e outras nações. A renda per capita mundial aumentou, com convergência entre os países globalizados, aumento da pobreza entre os excluídos e distanciamento destes em relação aos países desenvolvidos. A situação piorou entre as duas guerras mundiais com o protecionismo generalizando-se no estilo “empobreça o seu vizinho”: em 1940, a renda per capita mundial havia caído 1/3, com aumento da pobreza.

A segunda onda de globalização teria ocorrido entre 1950 e 1980, envolvendo a integração comercial dos países ricos (Europa, Estados Unidos, Canadá e Japão). Nesse período, os países exportadores de produtos primários teriam ficado isolados dos fluxos internacionais de capitais. Os países ricos obtiveram elevadas taxas de crescimento do produto e convergência da renda entre eles. No resto do mundo o número de pobres continuou a crescer, com pouca melhoria na distribuição de renda internamente e entre os países subdesenvolvidos.

A terceira onda de globalização, iniciada em 1980, foi estimulada pelo desenvolvimento dos meios de comunicação e transporte, pela invenção da Internet, bem como pela disposição dos diferentes países de reduzirem tarifas e de se abrirem ao comércio e aos investimentos internacionais. Pela primeira vez, países de renda baixa e média, envolvendo três bilhões de pessoas, conseguiram inserir sua abundante mão-de-obra no mercado global de manufaturados e serviços. Assim, as exportações industriais dos países em desenvolvimento passaram de 25% do total, em 1980, para cerca de 80% em 1998. Os países de maior participação no comércio e investimentos globais são China, Índia, México, Brasil e Hungria.

Ambos os processos de globalização produziram convergência entre as nações relativamente mais ricas, mas aumentaram a divergência entre estas e as relativamente mais pobres.